
Hoje senti o cheiro de nostalgia, acordei em uma cama com a mesma maciez, a janela filtrava a luz na intensidade correta, o som que a vizinhança emitia era do mesmo tom harmônico que tanto ouvi, a poeira do chão do meu quarto mostrou a mesma textura ao ser tocada pelos meus pés, a água em meu rosto me despertou fria como antes, os gestos e os sorrisos da família a mesa e o gosto do café eram novamente os daquele dia. Mas a certeza de que não havia retornado figurava em minha consciência, foram as histórias que se deslocaram para o futuro. Os personagens da antiga peça não mais atuavam, mas o cenário estava novamente armado. Uma música no rádio soa como a composição impregnada na minha memória. Senti novamente a tristeza de não ter feito parte, a decepção de constatar que algum talento me fora negado. Porém parece existir uma ilusão de que posso finalmente fazer algo. Pego o lápis e sinto a ponta áspera contra o papel pautado, meus dedos correm pelas linhas procurando uma rima, sabendo que a escrita não será definitiva, sempre existirá um retoque a ser feito por algum deles, meus pensamentos vagueiam pelas composições mescladas a sonoridade dos elementos circundantes. Tenho vontade de sair e mostrar meu novo exemplar poético, mas a contemporaneidade vence a batalha travada com as lembranças. O que resta é um pedaço de papel com uma única frase sem rima.
“Só sei o que a geração de vocês nos contaram, ou será que falta algo a ser contado.”
Eder Bovelo
PS: Essa é uma homenagem a maior banda de garagem que já existiu.
Um comentário:
Não entendi muito bem.
Ficou legal.
Porem acho que e igual a letra de musicas cada um tem uma interpretação
logo logo vc podera matar sua nostalgia.... aguarde
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